sexta-feira, 20 de março de 2009

Bem vindo ao Referencial

Depois de quase um mês de espera finalmente uma nova postagem no blog. A demora não foi por causa de preguiça e nem vou colocar culpa na internet que quase todo dia cai. Não. O que acontece é que o estudo toma atualmente muito do meu tempo livre. Curso pré-vestibular,, monitoria, oficinas. É claro que sempre tem a escapadinha, o futebol com o pessoal, a saída de noite. Mas não estou aqui pra falar da minha vida. Não hoje. De tudo que eu vivi nessas ultimas semanas, uma das que mais me chamaram atenção foi a aula de física. Não mentirei dizendo que é a minha matéria favorita, porque não é. O que me chamou atenção foi uma coisa que o professor disse. Foi basicamnete isso : "O que torna uma coisa maior que a outra ? Como em um momento uma distância pode ser pequena mas em outro ela pode se tornar infima ? A resposta para essas perguntas é uma só : Referencial. Dependendo do referencial que a pessoa estabeleça, a comparação entre duas distâncias, duas temperaturas e até medições de tempo pode não ser fixa. Por exemplo, se adotarmos o referencial de uma pessoa, 1000 anos é muito tempo ; mas se formos levar em conta o referencial de um corpo celeste como o planeta Terra, 1000 anos não significa simplesmente nada. " Isso me fez refletir. O mundo anda muito estranho. Muitas brigas, muitas guerras, cada um sem respeitar os direitos e as ideias dos outros. O referencial me fez lembrar em perspectivas, e em qualquer situação existem duas delas. Uma não é melhor, nem pior que a outra, são apenas diferentes. Por esse motivo, ambas devem ser respeitadas . Como no referencial, se analisarmos as duas de maneiras distintas, parecerão duas verdades . Por isso gente , VAMOS RESPEITAR O REFERENCIAL DE CADA UM, mesmo que ele seja diferente do seu. Se não começarmos a fazer isso, o mundo se afundará mais e mais em guerras e disputas. Isso que eu escrevo não é uma ameaça. É apenas um aviso . Obrigado a você que leu esssa postagem até o fim . E seja Bem Vindo ao Referencial .

Sentimento

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Alvaro de Campos